sexta-feira, 16 de julho de 2010

A Lenda De Yemanja


Iemanjá era a filha de Olokun, a deuda do mar.Em Ifé, ela tornou-se a esposa de Olofin-Odudua,com o qual teve dez filhos.Estas crianças receberam nomes simbólicos e todos tornaram-se orixás.Um deles foi chamado Oxumaré, o Arco-Íris,"aquele-que-se desloca-com-a-chuva-e-revela-seus-segredos."De tanto amamentar seus filhos, os seios de Iemanjá tornaram-se imensos.Cansada da sua estadia em Ifé,Iemanjá fugiu na direção do "entardecer-da-terra",como os iorubas designam o Oeste, chegando a Abeokutá.Ao norte de Abeokutá, vivia Okere, rei de Xaki.Iemanjá continuava muito bonita.Okere desejou-a e propôs-lhe casamento.Iemanjá aceitou mas, impondo uma condição, disse-lhe:"Jamais você ridicularizará da imensidão dos meus seios."Okere, gentil e polido, tratava Iemanjá com consideração e respeito.Mas, um dia, ele bebeu vinho de palma em excesso.Voltou para casa bêbado e titubeante.Ele não sabia mais o que fazia.Ele não sabia mais o que dizia.tropeçando em Iemanjá, esta chamou-o de bêbado e imprestável.Okere, vexado, gritou:"Você, com seus seios compridos e balançantes!Você, com seus seios grandes e trêmulos!"Iemanjá, ofendida, fugiu em disparada.Certa vez, antes do seu primeiro casamento,Iemanjá recebera de sua mãe, Olokun,uma garrafa contendo uma poção mágica pois, dissera-lhe esta:"Nunca se sabe o que pode acontecer amanhã.Em caso de necessidade, quebre a garrafa, jogando-a no chão."Em sua fuga, Iemanjá tropeçou e caiu.A garrafa quebrou-se e dela nasceu um rio.As águas tumultuadas deste rio levaram Iemanjá em direção ao oceano,residência de sua mãe Olokun.Okere, contrariado, queria impedir a fuga de sua mulher.Querendo barrar-lhe o caminho, ele transformou-se numa colina,chamada ainda hoje, Okere, e colocou-se no seu caminho.Iemanjá quis passar pela direita, Okere deslocou-se para a direita.Iemanjá quis passar pela esquerda, Okere deslocou-se para a esquerda.Iemanjá, vendo assim bloqueado seu caminho para a casa materna,chamou Xangô, o mais poderoso dos seus filhos.Kawo Kabiyesi Sango, Kawo Kabiyesi Obá Kossô!"Saudemos o Rei Xangô, saudemos o Rei de Kossô!"Xangô veio com dignidade e seguro do seu poder.Ele pediu uma oferenda de um carneiro e quatro galos,um prato de "amalá", preparado com farinha de inhame,e um prato de "gbeguiri", feito com feijão e cebola.E declarou que, no dia seguinte, Iemanjá encontraria por onde passar.Nesse dia, Xangô desfez todos os nós que prendiam as amarras sa chuva.Começaram a aparecer nuvens dos lados da manhã e da tarde do dia.Começaram a aparecer nuvens da direita e da esquerda do dia.Quando todas elas estavam reunidas, chegou Xangô com seu raio.Ouviu-se então: Kakará rá rá rá...Ele havia lançado seu raio sobre a colina Okere.Ela abriu-se em duas e, suichchchch...Iemanjá foi-se para o mar de sua mãe Olokun.Aí ficou e recusa-se, desde então, a voltar em terra.Seus filhos chamam-na e saúdam-na:"Odô Iyá, a Mãe do rio, ela não volta mais.Iemanjá, a rainha das águas, que usa roupas cobertas de pérolas."Ela tem filhos no mundo inteiro.Iemanjá está em todo lugar onde o mar vem bater-se com suas ondas espumantes.Seus filhos fazem oferendas para acalmá-la e agradá-la.Odô Iyá, yemanjá, AtaramagbáAjejê lodô! Ajejê nilê!"Mãe das águas, Iemanjá, que estendeu-se ao longe na amplidão.Paz nas águas! Paz na casa!"

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